A 66ª Conferência de Nikkei no Exterior, realizada em Tóquio, trouxe ao centro do debate uma mudança de paradigma: a ampliação do conceito de ‘nikkei’ para além da descendência sanguínea, incluindo os chamados ‘nikkei de coração’ — pessoas que compartilham valores e se comprometem com a comunidade. O evento, que reuniu participantes de vários países, teve forte presença de jovens e discutiu como essa nova visão pode impactar a sociedade japonesa.
Um dos painéis destacou a transformação dos descendentes de japoneses de ‘beneficiários de apoio’ para ‘agentes ativos’ na construção de uma sociedade mais inclusiva. Foram apresentados dados que mostram o aumento da miscigenação: no Brasil, 61% dos nikkeis de quarta geração são mestiços. A conclusão é que a identidade nikkei hoje se define mais pelo compromisso cultural e social do que pela pureza do sangue.
Para os brasileiros que vivem no Japão, as discussões têm impacto direto. A advogada administrativa japonesa Michiyo Ideguchi, ela própria nikkei, criticou a histórica falta de apoio ao ensino de japonês e à integração dos estrangeiros. Ela lembrou que, desde a revisão da lei de imigração em 1990, os descendentes foram aceitos para suprir a falta de mão de obra, mas o suporte linguístico e social ficou para trás. ‘Escolheram pelo sangue, mas separaram pela língua’, afirmou.
O alerta é que crianças estrangeiras asiáticas hoje enfrentam os mesmos desafios que os filhos de brasileiros há 30 anos. A conferência defendeu a criação de políticas públicas que tratem os imigrantes não como problema, mas como parte da solução para o envelhecimento da população. As propostas serão levadas ao governo japonês no encerramento do evento.
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Fonte: Yahoo!ニュース — resumo original em português.
Imagem de destaque: reprodução/Yahoo!ニュース.

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