Comportamento baseado em relações de poder, não em amor, é reconhecido como assédio sexual; especialista alerta: “pode acontecer em qualquer lugar”

Uma mulher de cerca de 50 anos, que trabalhou como secretária do prefeito de Tagawa, na província de Fukuoka, Takaya Murakami (55), denunciou ter sido vítima de assédio sexual por parte do chefe. No dia 18, a terceira comissão independente de investigação apresentou seu parecer sobre o caso, acolhendo em grande parte as alegações da ex-funcionária.
De acordo com a apuração, o comportamento do prefeito não seria motivado por sentimentos amorosos ou recíprocos, mas sim por uma relação de poder hierárquica. A comissão entendeu que tais condutas configuram assédio sexual, independentemente da intenção declarada do agente. Especialistas ouvidos pelo veículo que noticiou o caso, o Asahi Shimbun, destacam que situações semelhantes podem ocorrer em qualquer ambiente de trabalho, não apenas na esfera política.
“Quando a relação é marcada pela assimetria de poder – como entre um prefeito e sua secretária –, qualquer investida de cunho sexual ou constrangedor se torna uma forma de exploração e violência”, analisou um dos especialistas, que pediu para não ser identificado. “Isso pode acontecer em qualquer lugar: em empresas, órgãos públicos, hospitais, escolas. O importante é que as vítimas saibam que não precisam provar a existência de um ‘romance’ ou ‘interesse mútuo’ para que a conduta seja reconhecida como assédio.”
O caso veio a público após a ex-secretária formalizar a queixa contra o prefeito de Tagawa. O município, localizado no interior da província de Fukuoka, tem cerca de 45 mil habitantes. A terceira comissão foi instituída para apurar os fatos com independência e isenção. O relatório final, apresentado no dia 18, concluiu que as acusações da funcionária são procedentes na maior parte dos pontos investigados.
Até o momento da publicação, não há mais detalhes sobre as sanções ou medidas que serão adotadas contra o prefeito, nem se ele reconhece publicamente as acusações. A comissão, porém, já emitiu recomendações para que a prefeitura revise seus protocolos de combate ao assédio e ofereça canais seguros para denúncias, protegendo a identidade das vítimas.
O episódio reacende o debate sobre a cultura de silêncio em órgãos públicos japoneses, onde subordinados, especialmente mulheres, frequentemente hesitam em denunciar superiores por medo de retaliação ou de serem desacreditados. A frase do especialista – “pode acontecer em qualquer lugar” – serve como um alerta para que instituições e sociedade estejam atentas a dinâmicas de poder abusivas, independentemente do ambiente.
Fonte: Asahi Shimbun
Fonte: Asahi Shimbun

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